domingo, 28 de fevereiro de 2016

O Menino e o Mundo


Os traços desta animação brasileira sugerem a ingenuidade, a infantilidade. O personagem principal é desenhado com um rabisco simples, em 2D, sobre espaços brancos remetendo a folhas de papel. A evolução do cinema animado tem sido cada vez mais associada ao desenvolvimento tecnológico, de modo que assistir a O Menino e o Mundo provoca uma surpresa. Enquanto as grandes produções buscam os traços realistas (como o cabelo ultra natural do príncipe de Shrek, ou a grande expressividade do robô Wall-E) para compor mundos mágicos, este filme faz o caminho inverso: usa traços que beiram o surreal para falar de um Brasil bastante palpável e contemporâneo.

O Menino e o Mundo - FotoA história, sabiamente contada sem palavra alguma (algo que pode facilitar a exportação do filme), mostra uma criança pobre cujo pai abandona a família para ir trabalhar em algum lugar distante. O cenário familiar é rural, mas o mundo para onde partem os adultos é o da cidade grande. Estes ambientes – personagens centrais à trama – ganham uma caracterização expressiva e inteligente: enquanto o campo é simbolizado por pequenos traços coloridos (referente à grama, à felicidade), a cidade é uma mistura cinzenta de pesadelo futurista (com favelas em formas de cones) e pastiche do capitalismo (outdoors, televisores por todos os lados). O trem que atravessa a fazenda nada mais é do que um monstro gigantesco, como uma serpente, que engole os adultos e depois desaparece no espaço branco, sem devolvê-los mais.

Com um ritmo agradável, sem apelar para a montagem frenética das animações infantis hollywoodianas, o diretor Alê Abreu dedica-se a representar de maneira lúdica os espaços e as configurações do mundo contemporâneo. A exploração dos agricultores, a falência das fábricas, a tristeza dos tecelões, a precariedade dos artistas de rua, a falta de estrutura nas comunidades carentes, o regime militar... Tudo é retratado de modo a misturar o sonho (a bela música das favelas) com o pesadelo (os tanques de guerra, transformados em animais gigantescos). Os pobres são humanizados ao máximo, com a câmera próxima dos pequenos traços que representam os seus olhos tristes, já os poderosos estão escondidos atrás de tanques e veículos potentes.

O Menino e o Mundo - FotoO Menino e O Mundo também impressiona pela mistura de técnicas, incluindo colagens, carros feitos por computador (representando a desigualdade social) e mesmo imagens em estilo documentário, de árvores sendo cortadas em florestas. Junto da trilha sonora de cunho social, composta pelo rapper Emicida, fica evidente a notável ambição deste filme de entreter ao mesmo tempo em que estabelece uma mensagem muito clara sobre a sociedade atual. Talvez as crianças não consigam entender todas as referências históricas, mas nem precisa: a simples sensibilização às desigualdades como mensagem central já é um tema raro e precioso em meio a tantas produções que preferem martelar na cabeça dos pequenos os mesmos valores de amor familiar.

Esta acaba sendo uma produção triste, amarga, por trás do tom colorido da superfície. O Menino e o Mundo lembra produções como A Viagem de Chihiro ou O Mágico, de mestres da animação Hayao Miyazaki e Sylvain Chomet, que contrastaram muito bem o mundo idealizado da infância à vida embrutecida dos adultos. O tom de melancolia impregna este filme de excelente qualidade técnica, além de uma inventividade ímpar na representação dos espaços e do som (quer cena mais bonita do que o garoto guardando numa caixa a música tocada pelo seu pai?). Esta é uma produção capaz de divertir e suscitar a reflexão de crianças e adultos, por razões diferentes e em níveis distintos. Estas qualidades fazem de O Menino e o Mundo um filme muito mais complexo e rico do que os seus simples traços permitem imaginar.

Deuses do Egito


Embora não faça filmes com a regularidade que se esperaria, Alex Proyas ocupa lugar hoje numa lista de diretores seleta, como Guillermo del Toro, James Cameron e os irmãos Wachowski, que resistem à tentação do cinema irônico e autorreferente e tentam fazer filmes de fantasia, épicos e ficções científicas com uma preocupação com uma criação de universo que seja particular. Novo filme de Proyas, Deuses do Egito evidencia essa preocupação, embora à primeira vista pareça mais um épico de Antiguidade embranquecido por Hollywood.

Na trama, os deuses egípcios convivem com mortais à beira do Nilo, uma harmonia rompida por Set (Gerard Butler, não muito à vontade como vilão), que mata seu irmão, o rei Osíris (Bryan Brown) e usurpa o trono que seria herdado pelo despreparado Hórus (Nikolaj Coster-Waldau), Deus do Ar. Com a ajuda de um ladrão mortal (Brenton Thwaites), que deseja reviver sua amada, Hórus deve acabar com a tirania de Set, que escravizou os egípcios em nome de sua ambição.
Antes de se tornar um filme de travessia - organizado em torno de viradas rápidas e cenas de ação e aventura econômicas, que não perdem tempo com o supérfluo - Deuses do Egito começa como uma trama de intrigas palacianas bastante interessante, que joga com a fotografia (fulgurante, carnavalesca) e a proporção (os deuses têm quase o dobro do tamanho dos mortais) para engrandecer os protagonistas, e por extensão tornar essas intrigas mais grandiloquentes. É uma opção visível e decidida pelo registro mais teatral, semelhante ao de O Destino de Júpiter, outro filme sem o menor apetite (ou talento) para o sarcasmo.
Proyas tenta fazer aqui um filme que não se contenta apenas com a virtuose nas cenas de batalha. É isso que diferencia Deuses do Egito de outros épicos recentes, como Imortais, o 300 genérico de Tarsem Singh (que provavelmente se considera um grande esteta mas não tem o mesmo compromisso com gestações de universos ficcionais de Proyas). Na verdade, as batalhas são o ponto fraco de Deuses do Egito, filmadas com travelings vacilantes e cortes fora de hora, e com efeitos visuais que frequentemente parecem inacabados. Vi o filme em 2D, mas não tenho certeza de que esses efeitos possam parecer melhor numa projeção tridimensional.

Problemas de casting (que aliás também vitimavam o filme dos Wachowski) e desequilíbrio visual à parte, Deuses do Egito tem a ambição que se espera de um verdadeiro épico de fantasia. Se vai perdendo o vigor ao longo de suas duas horas - em que recorre vez ou outra a soluções fáceis de dramaturgia, como na relação de Hórus com a Deusa do Amor (vivida pela Elektra da TV, Elodie Yung, destaque de um elenco que tem nas mulheres suas melhores escolhas) - ao menos o filme se conclui almejando a grandiosidade.

Ao final, fica a impressão de que falta alguma coisa a Deuses do Egito, assim como a outros épicos falhos recentes como John Carter e mesmo O Destino de Júpiter, para se firmar como o filme que nadará contra a corrente dos blockbusters irônicos e autorreferentes e fará justiça a esse gênero tão cinematográfico que já viu dias melhores.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Falando de Tatuagem

Um vídeo bem legal e informativo que eu fiz com Saulo Medeiros, para quelas pessos que querem fazer tatuagem e tem dúvidas. Neste vídeo ele responde algumas perguntas detalhadamente, e como o vídeo ficou um porco grande dividimos em 2 partes, na próxima terça continua...

 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Cia. Pão Doce de Teatro selecionada para integrar o Circuito Palco Giratório


A Cia. Pão Doce de Teatro é o primeiro grupo mossoroense a ser selecionado para o maior circuito de intercâmbio e difusão de artes cênicas do país: o Circuito Palco Giratório. O projeto tem 19 anos de estrada e é organizado pelo Sistema Fecomércio, através do Serviço Social do Comércio (Sesc).
Com o espetáculo, “A Casatória c’a Defunta”, o grupo integrará a programação do Palco Giratório, que neste ano passará por 15 estados e 46 cidades brasileiras.

“É de uma enorme responsabilidade representar o estado em um circuito onde grandes nomes da arte potiguar já passaram, como os Clowns de Shakespeare em 2006, o Grupo Estação e o Gira Dança em 2015, e agora em 2016 estaremos ao lado dos amigos do Grupo Carmim. Então, além de ter um trabalho artisticamente potente, o grupo deve estar suficientemente amadurecido e preparado para a empreitada”, avalia Romero Oliveira, membro da companhia.

O espetáculo de rua ‘A Casatória c’a Defunta’ é o primeiro do grupo que conta com texto e músicas autorais, e convite para direção. O espetáculo tem texto e músicas de Romero Oliveira e direção e concepção de Marcos Leonardo. Para montagem do espetáculo o grupo definiu três diretrizes: pesquisa, criação e formação cultural.

“A proposta da Cia. Pão Doce é envolver o público com um espetáculo criado a partir de causos sertanejos, que vão desde os contos populares de assombração, até as cantorias, incelenças e cantigas de roda, nutrindo o espectador com um texto que explora os elementos da cultura popular tradicional nordestina”, diz Mônica Danuta, também integrante da trupe.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Batman | Última edição nos Novos 52 terá desenhos de Rafael Albuquerque


Com a saída do roteirista Scott Snyder na edição 51de Batman, depois de cinco anos à frente da série, a DC Comics anunciou a dupla criativa que pegará a derradeira edição 52 - a última da numeração dos Novos 52, antes da reformulação editorial prevista para junho que vai zerar os títulos da casa.

A surpresa é o nome do brasileiro Rafael Albuquerque como o desenhista da edição. Ele vem acompanhado do roteirista James Tynion IV, conhecido por colaborar com Snyder na série semanal Batman Eterno. Ao Omelete Albuquerque diz não saber se será uma trama isolada, pois ainda não recebeu o roteiro. "Foi um convite da DC. Eu já havia feito a capa variante dessa edição [veja na galeria abaixo], e também já tinha trabalhado com o Tynion em histórias secundárias anos atrás", diz.

A sinopse oficial diz apenas que a trama envolve "ecos do passado de Batman que reverberam no futuro de Gotham". Esta será a primeira edição completa de Batman que Albuquerque desenha, e 2016 ainda promete ser cheio para o brasileiro com trabalhos relacionados ao universo do Morcego - vamos acompanhar... Ex-desenhista da série, que também deixa a HQ na edição 51 ao lado de Snyder, Greg Capullo assina uma das capas de Batman #52 - que mostra outra surpresa: Batman sorrindo. Veja:

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Estreia Supernatural na Warner Brasil

Sinopse:
As coisas não serão nada fáceis para os Winchester, pelo contrário, ficarão insuportáveis nesta décima temporada.
O último que soubemos de Dean foi que se converteu em demônio – por causa da Marca de Caim – para imediatamente desaparecer sem deixar rastro. Agora, Sam está disposto a tudo para recuperar o irmão. Segundo Jeremy Carver, o diretor dos roteiristas de #SupernaturalWarner, “a luta pela recuperação de Dean levará Sam a caminhos sombrios, com consequências que sacudirão os irmãos até a medula”.
Mas não percam as esperanças, coisas boas vão acontecer. Segundo Carver, também para celebrar e satisfazer os fãs da série, no episódio 200 “haverá vários números musicais, incluindo uma versão e uma canção original”. Jeremy também afirmou que o episódio “será um dos mais meta-humorísticos que já tiveram até o momento; será como uma carta de amor aos fãs”.
Por isso você não vai querer perder nem um segundo desta décima temporada de #SupernaturalWarner… aqui, na Warner.

Os episódios são exibidos todas as segundas às 21:30 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Deadpool estreou hoje mas terá continuação.



A FOX está apostando todas suas fichas em Deadpool, filme sobre seu mais famoso antagonista que está para sair este ano e promete causar.

O que muitos que não leem as HQs não sabem, no entanto, é que Deadpool, o personagem principal e que intitula o longa, é pansexual: ou seja, ele é atraído pela pessoa indiferente do gênero ou características físicas. No primeiro filme, o herói/vilão terá uma relação intensa com Vanessa (vivida pela brasileira Morena Baccarin), mas no segundo filme a FOX já planeja explorar mais as variações da sexualidade do marcante personagem.

Até Ryan Reynolds, que interpreta o Deadpool, se mostrou favorável a ele ter um namorado:
“Eu amo isso no Deadpool. Eu amo o fato dele poder quebrar quaisquer barreiras”, disse, “No futuro, eu espero ainda que possamos ir ainda mais além… Eu certamente não me oporia a isso [ele ter um namorado]“.
Um personagem da Marvel tão conhecido se envolver com outro personagem masculino seria um passo importante para a indústria cinematográfica de heróis, podendo fazer um público mais amplo, como o LGBTQ, se interessar pela franquia.
Deadpool estreia nos cinemas brasileiros no dia 12 deste mês. A classificação etária é de 16 anos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Incristos no Canal





A Internet, que é o maior meio de comunicação em massa já criado, teve como sua precursora uma rede restrita, desenvolvida para fins militares durante a 2ª Guerra Mundial, chamada Arpanet. E por meio desta que venho aqui falar um pouco da minha frustação. Eu estou vendo que muitas pessoas estão-se desescrevendo no canal no youtube, o que acontece é o seguinte. Eu tenho apenas 2 anos de canal e uma coisa que aprendi é que temos que ter característica, personalidade própria, então quem vier ao meu canal vai ver minha forma de fazer vídeos, não adianta vir pensando que vai ver vídeos iguais aos de Christian, Júlio Cocielo e etc... Citei eles pois tem canais grandes.


Quem vier ao meu canal vai ver minha forma de fazer vídeo, o que eu gosto de falar e fazer, eu sou um dos poucos canais que ainda faz sorteios para os inscritos, que é uma forma de agradecimento pela inscrição pelo reconhecimento, e é triste ver e saber que muitos só estão atrás dos sorteios. Na página no Facebook eu tenho 1.228 e no youtube comecei com um número e agora com 913.


Não vou ser como esses canais grandes e não vou imita-los, primeiro porque não seria eu, seria eles, e segundo que seria uma copia muito malfeita, e o bom é sermos únicos na quilo que fazemos, eu sei que tenho muito para melhorar e batalho todo vídeo pra isso. Espero que entendam, obrigado.   

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

HQ Demolidor O Homem Sem Medo


Sinopse: Uma chama arde profundamente em Matt Murdock. Ele foi criado por seu pai, um boxeador em decadência com uma última chance de fazer algo de bom - uma chance que lhe custou a vida. Ridicularizado e atormentado pelas outras crianças enquanto crescia, Matt teve sua vida irremediavelmente alterada quando, ao salvar um idoso, perdeu a visão ao ser atingido por materiais radioativos. A compensação? Uma vontade inquebrantável e uma inteligência aguçada, que ajudaram a dar foco aos supersentidos com os quais Matt foi abençoado pelo acidente. Testemunhe a magistral origem do Demolidor, o Homem Sem Medo. Minissérie em 5 Edições reunidas em 1 Link.

Esta edição não se encontra com tanta facilidade, no mercado e as pessoas que tem vendem com preços exorbitantes. Esta HQ tem o roteiro de Frank Miller e arte e Romita Jr

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Coca e Marvel criam latinhas baseadas em Heróis

Parece que a Coca-Cola e a Marvel estão preparando uma bela surpresa para os fãs de quadrinhos no tão esperado comercial do Super Bowl.

A competição de futebol americano, que acontece no 
próximo dia 7, é o programa de maior audiência nos Estados Unidos e, consequentemente, tem os segundos mais valiosos da publicidade.
Para ter uma ideia, no ano passado um anúncio de 30 segundos durante o intervalo da competição chegou a US$ 4.5.

Não à toa os comerciais no Super Bowl ganham atenção especial do mercado publicitário e quando falamos de duas marcas tão fortes quanto a Coca e a Marvel, é bom ficar de olho para acompanhar o que vem por aí.

Para dar um preview do que podemos esperar, as empresas enviaram a alguns veículos dos Estados Unidos, como o Adweek e o ComicBook, uma caixa com latas especiais inspiradas seis em super-heróis do filme "Capitão América: Guerra Civil". São eles: Capitão América, Homem de Ferro, Viúva Negra, Hulk, Homem-Formiga e Falcão.

Na caixa recebida pelos jornalistas, juntos às embalagens, havia uma chamada para seguir a Coca Cola nas redes sociais e descobrir os próximos passos dessa parceria.
 
A provocação dizia: "02.07.16. The Big Game is just the beginning." ("2 de fevereiro de 2016. The Big Game é apenas o começo", em tradução do inglês).

Ainda não há detalhes sobre os desdobramentos desse projeto de co-branding e, segundo a recomendação do teaser, quem quiser acompanhar novidades sobre a parceira deve ficar ligado no Twitter da Coca. Se depender da empolgação dos fãs da Marvel, as latinhas vão invadir os supermercados do mundo inteiro em breve.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Deadpool Sem Corte no Brasil e Para Maiores de 18 anos


Depois de surgirem boatos de que Deadpool poderia ser liberado para menores de idade no Brasil, correndo o risco de ter cortes na versão final do filme - a internet entrou em pânico. Mas agora já está resolvido.

A FOX Brasil conversou com o site Cineclick e afirmou que a classificação exibida no site do Cinemark foi um engano, era apenas sobre o trailer do filme. Segundo eles, o longa chegará por aqui da mesma forma que lá nos EUA: sem nenhum corte. O filme poderia ainda ter classificação de 16 anos, mas não sofreria nenhuma mudança.


Estréia dia 11 de Fevereiro 2016